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22/06/2014

Sexismo e Jogos Online [parte 1]

 

 

Oi pessoal, como estão? Depois de algumas (muitas) semanas trabalhando neste artigo, venho divulgá-lo a vocês. Foi muito difícil saber por onde começar. Sei que o texto será longo, mas espero, do fundo do meu coração, que vocês leiam e compreendam. E também espero respeito (ou reXpeito, para os fãs, haha).

Para começar, explico que e porque feminismo não é o contrário de machismo, como muito leio pela internet. Feminismo é a busca por direitos iguais em geral. Machismo é a dominação do homem sobre a mulher, coisa que acontece desde os primórdios da humanidade. Não posso me estender aqui também, pois, se eu o fizer, ninguém vai querer ler o texto de tão grande que ele ficará.

A ideia de escrever um artigo sobre isso estava agarrada na minha cabeça há tempos. Sei que não será bem aceita por todos, mas espero surpreender-me.

Há algum tempo, enquanto jogava uma partida de League of Legends, fui surpreendida por um ataque gratuito de um companheiro de equipe. Sim, a pessoa que estava no meu time começou a me xingar do nada. De “vagabunda” a “vai lavar uma louça”, procurei entender o que eu fiz para ler aquelas barbaridades. Subi o chat e vi que havia falado “obrigada” após outro companheiro de equipe elogiar uma jogada minha. Bastou agradecer no feminino para eu ser bombardeada. Eu, então, disse que o reportaria e o mutei durante o tempo da partida. Lembro que ganhamos a partida. Eu o reportei e, enquanto escrevia o motivo, meu coração ficou apertado e chorei. Não bastando tudo aquilo, a pessoa me adicionou. Ingênua, pensei ser para que ele pudesse pedir desculpas. Ledo engano. Os xingamentos continuaram. Resolvi mandar um ticket para a Riot e recebi uma resposta evasiva, o que me deixou mais chateada ainda.

A partir daí, passei a evitar falar em primeira pessoa no feminino, mas nem sempre é possível, afinal, sou mulher e, desde que aprendi a falar, uso a primeira pessoa no feminino. Houve um tempo em que isto não fez diferença mais. Fiquei feliz. Mas como tudo que é bom dura pouco, não demorou  para eu ser atacada com palavras ofensivas novamente. Infelizmente, nos jogos online em geral, se você comete um erro, raramente você será compreendido e “desculpado”, mas xingado. Se você é mulher, será xingada duas vezes: uma pelo erro, outra pelo simples fato de ser mulher. Mais uma vez, por isso, resolvi não interagir durante as partidas. O que tornou o jogo muito chato. E por que diabos eu tenho que me calar para evitar ser xingada por ser mulher? Isto é o machismo. A opressão do homem sobre a mulher. E eu não podia, nem devia, me calar.

O estopim para este artigo finalmente sair da minha mente para o Word foi uma partida ranqueada na qual, apesar de ter acabado 0/5/4, fui bastante elogiada por companheiros de equipe e até pelo time inimigo. Meu time não jogou mal, mas o outro time tinha sinergia e modo de jogar extraordinários. Acho que foram poucas as vezes em que fui tão ofendida em toda minha vida; não sou velha, mas olha, já vivi bastante. Chorei, mas chorei tanto que fiquei com dor de cabeça. Não apenas pela ofensa, mas pensei em todas as mulheres do mundo que passam pelo mesmo e por situações muito piores que não serão discutidas aqui.

Motivos e “inspirações” expostos, sigo com uma tradução de um ótimo artigo que o FacaNaBota me enviou (VALEU SEU FOFO LINDO).

*aproveito para repudiar a “dica” da Riot sobre as skins Patrulheirx, que diz algo sobre elas incluírem óculos escuros e ~machismo~. Acho que faltou pesquisa da parte deles.


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Eu acredito que os gamers precisam de uma perspectiva realista sobre o problema do sexismo no eSport. Os pontos dos quais esse artigo tratará são:

  • comentários sexistas e piadas misóginas com as quais crescemos acostumados como resultado de uma constante estereotipificação;
  • a dominação da cultura dos games pelos homens;
  • o impacto do Team Siren no cenário profissional e a percepção negativa que elas criaram para as mulheres que querem se tornar jogadoras profissionais; e
  • gamers mulheres sendo forçadas a expressar abertamente seu gênero ou escondê-lo por inteiro.

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    Todos nós gostamos de fazer nossas próprias suposições sobre um grupo de pessoas que têm um comportamento parecido. Estereótipos tornam a vida mais fácil para a gente, mas também nos levam a uma completa falta de compreensão na sociedade e, quase sempre, promovem discursos de ódio, abuso e assédio moral. Então, comparando aos homens, quanto realmente se sabe sobre o que as mulheres passam quando tentam ter os games como um hobby ou profissão?

    Há uma enorme diferença entre a forma como dois jogadores, um homem e uma mulher, são vistos pela maioria. As mulheres são condenadas e intimidades por serem consideradas incapazes de competir emgames ao lado dos homens, porque a maioria (homens) assume que as mulheres não conseguem ter a mesma habilidade em vídeo games que os homens, o que não é verdade. Vou explicar.

    Não existem estudos que mostram que as mulheres são jogadoras mais fracas do que os homens. Você pode usar o argumento de que há muito mais homens do que mulheres no cenário profissional, e casualmente também, mas isso é devido à forma como os jogos foram, originalmente, comercializados e como o ato de jogar foi atribuído e socialmente sustentado como um papel do gênero masculino. Como resultado disso, as mulheres tiveram menos tempo para desenvolver grandes interesses em jogos, assim como desenvolver as habilidades necessárias para competir em um nível superior e contribuir de forma significativa para o jogo, tanto em conquistas como em números.

    No entanto, isso não significa que os games não terão fortes competidoras do sexo feminino. Por exemplo, a Scarlett, jogadora de StarCraft II, é reconhecida como uma dos jogadores mais fortes da cena atual, sempre vencendo adversários do topo do ranking, apesar de ser uma “mulher gamer”. Ela, porém, é uma das poucas, o que é um problema. As mulheres são menos incentivadas a ter um jogo como um hobby, como uma consequência de o resto da comunidade aliená-las. O problema do sexismo no cenário profissional começa na base da pirâmide. Se a indústria se moldar ao interesse feminino e começar a comercializar igualmente para ambos os sexos, nós veremos o problema resolvido com mais seriedade.

    Nós estabelecemos que as mulheres são reprimidas no jogo e isso se deve às táticas de marketingutilizadas no começo da indústria, juntamente com a incapacidade de a comunidade se ajustar adequadamente ao crescente fluxo de mulheres se interessando por jogos. Pro-gaming não é uma profissão viável para as mulheres no momento e, no entanto, a indústria não tem se esforçado para alcançar o público feminino. As circunstâncias criaram uma situação em que as mulheres que desejam ganhar a vida por meio de seu hobby são forçadas a encontrar formas alternativas para fazê-lo, visto que seu gênero é um prejuízo para tanto.

    Uma dessas formas alternativas é a stream. Transmitir os jogos gera receita através de contagem deviewers, e não da habilidade (às vezes, habilidade resulta em um público maior, mas não é um requisito neste caso). Isso favorece um gênero sobre o outro, pois a aparência e o caráter geram atenção mais rapidamente do que apenas a habilidade, na maioria dos casos. Note que isso não inclui todas as streamersmulheres, mas essa é a realidade. Isso porque a maioria das mulheres fica sem oportunidade de seguir uma carreira pro-gaming, mas “streamar” é, de certa forma, fácil para elas, mas é perceptível a diferença entre as duas carreiras.

    As mulheres não costumam se envolver em streaming com a ideia de vender sua aparência, mas elas se aproximaram de um cenário que foi (e ainda é) estranha na forma como as aceita. Explorando traços do gênero para ganhar dinheiro não é uma decisão consciente tomada pela maioria – é, simplesmente, uma alternativa lógica para o pro-gaming quando este falha em proporcionar às mulheres o ambiente adequado para uma profissão.

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    A maioria dos jogadores só teve experiências ruins com equipes femininas. Ter meninas competindo empro-gaming é um conceito recente e está sobrecarregado, não apenas pelo preconceito da comunidade, mas pela segregação no mundo real. São poucas as oportunidades que as mulheres tiveram de serem reconhecidas no eSport, e ainda afundaram na história, tornando-se exemplos doloridos e isso tem agravado o problema. Esse é o caso do Team Siren.

    Acredito que a maioria já tenha assistido ao vídeo de apresentação delas. Pode-se dizer, imediatamente, que esse promo não foi bem pensado. Implicou-se que o time (Ouro I,  na época) era capaz de assumir qualquer competição profissional. As sirens (sereias, em inglês) tentaram vender imaturidade e atitude esnobe para o público e isso causou um impacto severo na percepção das pessoas sobre jogadoras profissionais.

    Trash-talking dos times inimigos só serviu para degradar ainda mais a imagem do Team Siren. A reação da equipe em relação à repercussão para a comunidade, juntamente com sua má gestão, forçou as sirens a acabarem com o time após um mês de criação. Ironicamente, a morte dessa equipe pode ter beneficiado as mulheres que desejam competir no eSport por chamar atenção à questão de que há quase nenhuma pro-gamer atualmente. Atitude e marketing (ruim) a parte, as sirens foram corajosas o suficiente para se colocarem no centro das atenções como um time de mulheres mirando para a grande cena profissional. Se o foco maior fosse no jogo e menos na venda de uma imagem, a equipe poderia ter sido um sucesso.

    Continua...

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